De um amigo para outro:
“Tenho que pegar hoje um voo no André Franco Montoro...
Mas fico cansado só de pensar que passarei pelo Marechal
Rondon, depois seguirei até o Gilberto Freyre e, de lá,
para o Augusto Severo. Só depois vou desembarcar no Pinto
Martins...”
Será que todos
entenderam que o turista acima estava relatando uma de suas viagens
aéreas pelo Brasil? Saindo de São Paulo, com escalas
em Cuiabá (MT), Recife (PE) e Natal (RN), ele finalmente
desembarcou no Aeroporto Internacional de Fortaleza (CE).
Batizados em homenagem
a personagens de nossa História, os 12 aeroportos internacionais
existentes nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 têm
nomes próprios. Alguns já caíram na boca
do povo, outros nem tanto.
São personagens
como o Marechal Rondon que, em 1913, foi atingido por uma flecha
envenenada dos índios nhambiquaras - mas salvo pela bandoleira
de couro de sua espingarda. Já Afonso Pena, em 1907, ampliou
a rede de comunicações do Brasil ao ligar a Amazônia
ao Rio de Janeiro - por meio do telégrafo. E o cearense
Pinto Martins, o primeiro aviador a cruzar os céus do Brasil
vindo dos Estados Unidos? Anos depois, foi encontrado morto em
seu quarto com um tiro na cabeça.
Na linha dramática,
o pioneiro na criação de balões Augusto Severo,
em 1902, morreu a bordo de um de seus inventos, vítima
de uma explosão. Sem falar em Salgado Filho, Ministro da
Aeronáutica na época da Segunda Guerra, que em 1950
faleceu em um acidente aéreo. Conheça agora quem
é quem e suas origens...
BELO HORIZONTE
(MG) - Aeroporto Internacional Tancredo Neves.
Rodovia MG 10, Km 39. (31) 3689-2700.
Um dos mineiros contemporâneos mais emblemáticos,
Tancredo Neves nasceu em São João Del Rei, em 4
de março de 1910. Advogado, foi eleito vereador em São
João del Rei, em 1935. Depois, nomeado primeiro-ministro
com a instauração do regime parlamentarista, logo
após a renúncia do presidente Jânio Quadros.
Ocupou o cargo de 1961 e 1962. No ano seguinte, voltou a ser eleito
deputado federal.
Tancredo foi senador
pelo MDB, em 1978, e fundou o PP, partido pelo qual continuou
exercendo o mandato até 1982. No ano seguinte, ingressou
no PMDB e foi eleito governador de Minas Gerais (1983-1984). Com
o senador José Sarney como vice, foi eleito presidente
da República pelo Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro
de 1985, representando o partido da oposição e derrotando
Paulo Maluf. Na véspera de sua posse, em 14 de março
de 1985, o político foi internado em estado grave no hospital
e o vice-presidente José Sarney assumiu o cargo. Morreu
no dia 21 de abril de 1985, em São Paulo.
BRASÍLIA
(DF) - Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek
Aeroporto Internacional de Brasília s/nº. (61) 3364-9000.
Criador da cidade cujo aeroporto leva seu nome, Juscelino Kubitschek
de Oliveira nasceu em 12 de setembro de 1902, em Diamantina (MG).
Começou a trabalhar como capitão-médico da
Polícia Militar, quando fez amizade com quem seria o futuro
governador de Minas, Benedito Valadares. Foi eleito deputado federal
(1934-1937) e nomeado prefeito de Belo Horizonte (1940-1945).
Foi eleito governador
de Minas Gerais (1950-1954) e venceu a eleição para
presidente da República, com o slogan ‘Cinquenta
Anos em Cinco’. Na presidência, seu principal feito
foi a construção de Brasília e a instituição
do Distrito Federal, o que marcou a transferência da capital
federal (até então no Rio de janeiro), em 21 de
abril de 1960. Quando terminou o mandato, foi eleito senador por
Goiás, em 1962, mas teve seu mandato cassado e os direitos
políticos suspensos, em 1964, pelo regime militar. Se afastou
da política e dedicou-se ao trabalho como empresário.
Morreu em um desastre automobilístico no km 165 da Via
Dutra, em 22 de agosto de 1976.
CUIABÁ
(MT) - Aeroporto Internacional Marechal Rondon
Av. João Ponce de Arruda s/nº - Varzea Grande. (65)
3614-2500.
Esse mato grossense entrou para a História como o patrono
das comunicações.
Ainda jovem, Rondon decidiu servir ao Exército e dedicar-se
à construção de linhas telegráficas.
Percorreu mais de 100 mil km e elaborou as primeiras cartas geográficas
de cerca de 500 mil km2. Fundou o ‘Serviço de Proteção
ao Índio’.
Rondon seguiu sua missão
abrindo caminhos, desbravando terras, lançando linhas telegráficas,
fazendo mapeamentos e estabelecendo relações com
os índios. Em 1906, entregou uma linha telegráfica
entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras
do Paraguai e da Bolívia. Em setembro de 1913, foi atingido
por uma flecha envenenada dos índios nhambiquaras. Salvo
pela bandoleira de couro de sua espingarda, ordenou a seus comandados
que não reagissem: "Morrer, se preciso for. Matar,
nunca". Em 5 de maio de 1955, seu aniversário de 90
anos, recebeu o título de ‘Marechal do Exército
Brasileiro’. Em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel
da Paz.
CURITIBA (PR)
- Aeroporto Internacional Afonso Pena
Avenida Rocha Pombo s/n° - São José dos Pinhais.
(41) 3381-1515
Esse político (1847-1909) foi presidente da República,
de novembro de 1906 a junho de 1909. Afonso Augusto Moreira Pena
nasceu em Santa Bárbara, filho de imigrante português
que foi procurar ouro em Minas, no início do século
XIX. Estudou direito em São Paulo e entrou na política
em 1874, como deputado provincial. Foi eleito deputado por quatro
legislaturas sucessivas, de 1878 a 1889.
Além de legislador,
também atuou no Executivo durante o Império, como
chefe dos ministérios da Guerra (1882), da Agricultura
(1883) e da Justiça (1885). Foi eleito deputado constituinte
(1890), presidente da província de Minas Gerais (1892)
e presidente da República (1906). Em 1907, ampliou a rede
de comunicações do Brasil ao ligar a Amazônia
ao Rio de Janeiro - por meio do telégrafo. Em 1908, perde
parte do apoio político e ainda o segundo de seus nove
filhos. Os dois episódios abalam sua saúde. Morre
de pneumonia no ano seguinte, no Rio de Janeiro, sem terminar
o mandato.
FORTALEZA (CE)
- Aeroporto Internacional Pinto Martins
Avenida Senador Carlos Jereissati 3.000 - Bairro Serrinha. (85)
3392-1200.
O cearense Euclides Pinto Martins foi o primeiro aviador a cruzar
o céu do Brasil vindo dos Estados Unidos. Na verdade, ele
era o co-piloto, mas lhe foi cedida a nave ainda no ar. O hidroavião
biplano havia sido cedido pela jornal americano ‘The New
York Word’. A viagem começou em 4 de setembro de
1922 e terminou em 8 de fevereiro de 1923. Pinto Martins nasceu
em Camocim (CE), em 1892.
Em 1907, embarcou no
navio ‘Maranhão’, mas saiu no ano seguinte
para ser segundo piloto do navio ‘Pará’. Um
acidente de bordo interrompeu sua carreira naval por problemas
na carótida. No mesmo ano, foi aconselhado pelos médicos
a abandonar a carreira. Euclides Pinto Martins teve muitas dificuldades
ao longo da vida. Após um período de fama e glória,
ele sentiu o peso de ser um homem comum, com pouco dinheiro. Estava
sendo pressionado para pagar o dinheiro emprestado (U$19.000).
Foi neste clima que foi encontrado morto em seu quarto com um
tiro na cabeça. Era 12 de abril de 1924.
MANAUS (AM)
- Aeroporto Internacional Eduardo Gomes
Avenida Santos Dumont, 1350. Tarumã. (92) 3652-1366.
O ‘Marechal do Ar’ nasceu em Petrópolis (RJ)
em setembro de 1896. Sentou praça na Escola Militar de
Realengo (1916) e serviu em Curitiba (PR), no 9o Regimento de
Artilharia. Interessado por aviação, apresentou-se
no Forte Copacabana (RJ), aderindo ao movimento ‘Revolução
dos Tenentes’. Participou do episódio que ficou conhecido
como ‘os 18 do Forte’, quando foi gravemente ferido.
Foi condenado e desterrado para a Ilha de Trindade.
Libertado, foi o primeiro
comandante do Grupo Misto de Aviação, em maio de
1931. Com a criação do Ministério do Aeronáutica,
foi transferido para a Força Aérea Brasileira. Em
12 de dezembro de 1941, assumiu o Comando da 2ª Zona Aérea.
Terminada a Segunda Guerra, disputou duas vezes a Presidência
da República. E ocupou duas vezes a pasta da Aeronáutica.
Foi transferido para a reserva em 13 de setembro de 1960. Faleceu
dia 13 de junho de 1981. Foi proclamado ‘Patrono da Força
Aérea Brasileira’, em 6 de novembro de 1984.
NATAL (RN)
- Aeroporto Internacional Augusto Severo
Aeroporto Int. Augusto Severo s/n°. Emáus – Parnamirim.
(84) 3087-1270.
O potiguar Augusto Severo de Albuquerque Maranhão nasceu
em Macaíba, em 1864, e é considerado o ‘Mártir
da Tecnologia Aeronáutica’. Professor de matemática,
abolicionista, líder político, deputado federal
e inventor dos balões semi-dirigidos - em especial o ‘PAX’,
cujo nome simbolizava sua crença em sua criação,
pois achava que ela poderia evitar guerras entre as nações.
Depois que Santos Dumont
recebeu o prêmio ‘Deustsh de la Meurthe’, Severo
desenvolveu suas experiências com o aparelho mais pesado
que o ar. Em 1902, viajou para Paris para construir seu balão,
com 30m de altura e tecnologia avançada. Em maio de 1902,
fez manobras durante 10 minutos com seu balão, realizou
círculos fechados apresentando figuras em forma de oito,
provando a operacionalidade do invento e sua habilidade em manejá-lo.
Subitamente, quando o PAX estava a 400m de altura, o balão
foi visto em chamas. Segundos depois, uma explosão. Terminava
ali a carreira de Augusto Severo.
PORTO ALEGRE
(RS) - Aeroporto Internacional Salgado Filho
Avenida Severo Dulius, 90010. Porto Alegre. (51) 3358-2000.
Nascido em Porto Alegre, em 2 de julho de 1888, Joaquim Pedro
Salgado Filho
formou-se em Direito em 1908. Foi escolhido pelo presidente Getúlio
Vargas para dirigir a Aeronáutica brasileira durante a
II Grande Guerra. Reorganizador do setor aeronáutico, foi
durante a sua gestão que a Força Aérea Brasileira
se especializou na proteção à navegação
costeira.
Por seus serviços,
recebeu condecorações como: Grã-Cruz da Ordem
da Benemerência (Portugal), Grã-Oficial da Ordem
Nacional del Mérito (Paraguai), Condecoração
Al-Mérito (Chile); Grã-Cruz da Ordem "El Sol
del Peru"; Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar
(Bolívia); Grã-Oficial da Ordem Nacional "Al
Mérito" (Equador); Grande-Oficial da Ordem do Mérito
Aeronáutico (1951). Permaneceu à frente do Ministério
da Aeronáutica até 30 de outubro de 1945, transmitindo
o cargo ao Brigadeiro Armando Figueira Trompowsky de Almeida e
retornando à advocacia. Faleceu em 30 de julho de 1950,
em um acidente de avião.
RECIFE (PE)
- Aeroporto Internacional Gilberto Freyre
Praça Senador Salgado Filho s/nº. Biribeira. (81)
3322-4188.
Publicado em 1933, o livro ‘Casa-Grande & Senzala’
colocou Gilberto Freyre na literatura brasileira de forma definitiva.
A partir daí, passou a estudar o cotidiano por meio da
história oral, documentos pessoais, manuscritos de arquivos
públicos. Usou seus conhecimentos de antropologia e sociologia
para interpretar fatos de forma inovadora. Deputado federal pela
UDN, em 1946, sua vida política foi marcada pela ação
contra o racismo.
Em 1942, foi preso
no Recife por ter denunciado nazistas e racistas no Brasil. Em
1954, apresentou propostas para eliminar as tensões raciais
na Assembléia Geral das Nações Unidas. Freyre
recebeu diversas homenagens. Entre elas, em 1962, da escola de
samba Mangueira, com o enredo ‘Casa-Grande & Senzala’.
Foi doutor pelas universidades de Sorbonne (França), Colúmbia
(EUA), Coimbra (Portugal), Sussex (Inglaterra) e Münster
(Alemanha). Em 1971, a rainha Elizabeth 2ª lhe conferiu o
título de Sir (Cavaleiro do Império Britânico).
RIO DE JANEIRO
(RJ) - Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim
Aeroporto Internacional de Brasília s/nº. (61) 3364-9000.
A paixão pelo Rio de Janeiro certamente contribuiu para
Tom Jobim fosse homenageado, dando nome ao aeroporto internacional
da cidade. Antonio Carlos Brasileiro Jobim nasceu na Tijuca. Aos
quatro anos, mudou-se com os pais para a Zona Sul, passando a
morar no bairro de Ipanema e, depois, em Copacabana. Suas primeiras
composições incluíram parcerias famosas com
Newton Mendonça, que seria seu parceiro em ‘Desafinado’,
e Billy Blanco, com quem comporia seu primeiro grande sucesso,
‘Tereza da Praia’.
Apresentado a Vinícius
de Moraes pelo crítico Lucio Rangel, foi convidado a compor
as melodias de ‘Orfeu da Conceição’,
peça que estreou em 1956. Acometido de problemas circulatórios,
foi constatado um câncer na bexiga. Jobim foi operado no
‘Mount Sinai Medical Center’, em Nova York, em 6 de
dezembro de 1994. Dois dias depois, teve uma parada respiratória
e faleceu. O corpo foi transferido para o Brasil e enterrado no
Rio de Janeiro.
SALVADOR (BA)
- Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães
Praça Gago Coutinho, s/n. (71) 3204-1010.
Filho do ex-governador da Bahia e senador Antonio Carlos Magalhães,
Luís Eduardo Magalhães morreu quando estava no auge
da carreira, preparando-se para disputar o Palácio de Ondina
(residência oficial do governo baiano). Nascido em 16 de
março de 1955, demonstrou logo cedo sua vocação.
Após o primeiro governo de Antonio Carlos Magalhães,
foi nomeado chefe-de-gabinete da Primeira Secretaria da Assembléia
Legislativa da Bahia, permanecendo como funcionário até
1979, quando foi eleito deputado estadual pela extinta Arena,
aos 23 anos.
Em fevereiro de 1995,
assume a Presidência da Câmara dos Deputados, aos
39 anos. Por força do cargo, ocupou por duas vezes a Presidência
da República. Foi Líder do Governo, em 1997 e 1998.
Luís Eduardo Magalhães morreu de infarto aos 43
anos, em 21 de abril de 1998, quando iniciava a sua campanha para
o Governo da Bahia. Era também um nome forte para a sucessão
do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002.
SÃO
PAULO (SP) - Aeroporto Internacional André Franco Montoro
Avenida Jamil João Zarif (acesso pela via Dutra). (11)
2445-2945.
André Franco Montoro nasceu em 16 de julho de 1916, em
São Paulo. Em 1947, filiou-se ao PDC, elegeu-se vereador
por SP e depois deputado estadual. Em junho de 1978, apresentou
no Congresso projeto de emenda constitucional que restabeleceria
eleições diretas para governador - o que acabou
rejeitado. No dia 15 daquele mesmo mês, o Colégio
Eleitoral elegeu João Figueiredo à Presidência
da República.
Com a derrota da ‘Emenda
das Diretas’, Montoro apoiou a candidatura de Tancredo Neves
e José Sarney, eleitos por grande maioria pelo Colégio
Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985. Em junho de 1988, junto com
alguns dissidentes, Montoro deixou o PMDB e fundou o PSDB. Em
outubro de 1990, disputou uma vaga no Senado, mas foi derrotado.
Em outubro de 1994, elegeu-se pela quarta vez deputado federal
por São Paulo, reelegendo-se quatro anos depois. Faleceu
em SP em 16 de julho de 1999.