Privatização
de três aeroportos brasileiros rende R$ 24,5 bilhões
O governo
privatizou na segunda-feira (06) três dos maiores aeroportos
brasileiros. O leilão de concessão atingiu R$ 24,5
bilhões: três vezes e meia o valor pedido inicialmente.
A falta de espaço não era na sala de embarque de
um aeroporto. Onze consórcios lotaram a Bolsa de Valores
de São Paulo para o leilão de três dos principais
aeroportos brasileiros. Juntos, Cumbica, em Guarulhos, Viracopos,
em Campinas, e o Aeroporto de Brasília transportam 30%
dos passageiros e 57% da carga aérea do Brasil.
Empresas nacionais
e estrangeiras se juntaram para disputar um mercado que cresce
muito no Brasil. Segundo a Secretaria de Aviação
Civil, o número de passageiros nos aeroportos aumentou
118% desde 2003. E o movimento deve ser ainda maior nos próximos
anos. O lucro que a administração desses aeroportos
pode gerar fez com que a disputa começasse com lances muito
acima dos valores mínimos exigidos pelo governo.
O maior valor
foi pago pelo Aeroporto de Guarulhos. Mais de R$ 16 bilhões
- um acréscimo de 373% sobre o valor mínimo. O vencedor
foi o consórcio Invepar, formado por fundos de pensão
brasileiros em sociedade com a sul-africana ACSA. Em 20 anos de
concessão, os investimentos terão de ser de R$ 4,6
bilhões. A primeira obra será um novo terminal para
7 milhões de passageiros.
Viracopos,
em Campinas, foi privatizado por R$ 3,8 bilhões - quase
160% acima do valor mínimo. Será administrado pelo
consórcio Aeroportos Brasil, formado por duas empresas
brasileiras e pela francesa Egis. O prazo de concessão
é de 30 anos e o investimento total, de R$ 8,7 bilhões.
A prioridade também é construir um terminal para
5 milhões de passageiros. O Aeroporto de Brasília
foi arrematado por R$ 4,5 bilhões - 673% a mais que o valor
mínimo.
O consórcio
vencedor foi a Inframérica, formado pela empresa brasileira
Infravix e pela operadora argentina de aeroportos Corporación
America. Durante o prazo de concessão, de 25 anos, o aeroporto
vai receber R$ 2,8 bilhões em investimentos. A obra prioritária
é a construção de um novo terminal com capacidade
para 2 milhões de passageiros.
A Infraero
será sócia dos consórcios, com participação
de 49% em cada aeroporto. Mas, o ministro da Secretaria de Aviação
Civil afirmou que o governo não vai interferir na administração.
Segundo a Anac, a taxa de embarque continuará sendo reajustada
anualmente pelo IPCA. Durante os seis meses de transição
para os consórcios, nenhum funcionário da Infraero
será demitido. O controle do espaço aéreo
não muda. Continua com o governo. Para a Agência
Nacional de Aviação Civil fica a responsabilidade
de fiscalizar a qualidade dos aeroportos privatizados.
O consultor
de aviação Josef Barat disse que o leilão
foi um sucesso, mas não uma solução.“O
setor aéreo é muito complexo. Ele depende da infraestrutura
aeroportuária, da infraestrutura aeronáutica, de
controle do espaço aéreo e proteção
do voo, da capacidade das empresas aéreas de aumentarem
a sua oferta e depende, principalmente, de uma boa regulação
e de um bom planejamento desse setor. Claro que não caberá
ao concessionário privado planejar o setor aéreo
do Brasil”, comenta.
O governo
promete usar os recursos do leilão e a participação
da Infraero no lucro dos aeroportos privatizados para melhorar
o sistema aéreo brasileiro. “Temos hoje no país
720 aeroportos públicos. São 130 que tem voos das
companhias regulares. Queremos aumentar isso. Pretendemos dar
condições para que as companhias aéreas possam
voltar. No sentido de melhorar o desenvolvimento do país
e fazer uma integração melhor do país também”,
defende o ministro chefe da Secretaria de Aviação
Civil, Wagner Bittencourt.
O ministro
chefe da Secretaria de Aviação Civil disse também
que o governo ainda vai discutir os próximos passos da
reestruturação do sistema aéreo. E que não
há data prevista, nem lista de aeroportos para um próximo
leilão. A presidente Dilma Rousseff afirmou que o próximo
passo é garantir a administração eficiente
dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília.
Fonte: G1
/ Globo.com